Porque devemos aceitar o sofrimento?

Olá pessoal. Em primeiro lugar penso que devemos aceitar tudo o que nos acontece na vida. Por isso acredito que aceitar o sofrimento também faz parte do nosso crescimento. Isto porque uma das dificuldades quando defrontamos o sofrimento advém da violenta rejeição que sentimos por ela.

Ou seja, não se trata unicamente de não querermos sofrer, mas sim de uma verdadeira fobia ou uma aversão incontrolável pelo sofrimento. Por isso tentamos sempre o máximo rejeitá-la. Tanto o sofrimento direto, provocado pelo fato objetivo em si, como o sofrimento indireto, gerado pela especulação e pelo medo.

A violenta rejeição de todo e qualquer tipo de sofrimento. E esta recusa manifesta-se com a agressividade e violência. E com isso não nos apercebermos do agravamento da dor que essa rejeição causa.

Isto porque, quanto mais tempo permanecermos bloqueados na rejeição, mais tempo adiaremos o alívio do sofrimentos. De facto, a intensa aversão sentida, ocupa todo o espaço e impede-nos de encontrar soluções e de implementar melhorias e aceitar o sofrimento.

E o ódio, acreditam, cega-nos e bloqueia-nos e não entendemos que, ao cedermos-lhe, pioramos substancialmente a nossa situação. E que ódio só trará mais ódio para a nossa vida.

E como aliviar e aceitar o sofrimento?

A aceitação é o primeiro passo

O primeiro passo para o alívio do sofrimento é a aceitação. Eu sei que pode parecer paradoxal até porque, intuitivamente, parece-nos que a rejeição cria uma barreira que impede o indesejável de ganhar terreno. Por conseguinte, receamos que a aceitação nos exponha e nos torna mais vulneráveis. Mas, isso é absolutamente falso.

O fato de resistirmos a algo o impediu de acontecer ou o afastou do nosso caminho?

Por isso, Aceitar consta de um mero reconhecimento da situação que se apresenta, de uma abertura para entrar em contato com a realidade. Ou seja, conhecê-la melhor e explorá-la nos seus diverso aspetos. Vendo-a sob vários ângulos.

É fundamental percebermos que aceitar não significa que concordamos, pactuamos ou colaboramos com o sucedido, igualmente, também não nos resignamos ou desistimos. Mas, pelo contrário, admitimos começar a trabalhar com o que é.

Ao inverso, recusar significa manter a ilusão de que está tudo bem ou, pelo menos, de que tudo irá voltar a ser como dantes. Num processo saudável, mais tarde ou mais cedo, rendemo-nos às evidências: o que aconteceu, aconteceu e não há como voltar atrás. Por isso temos de lidar com a situação tal como ela é.

Porém, se persistirmos na não-aceitação, fechamo-nos e ficamos bloqueados. E com isso recusamos a comunicação, e com isso gerando uma tensão terrível para nós. E esta tensão, que erradamente acreditamos ser originada pela situação, é criada pela rejeição e é completamente inútil pois só piora tudo sem trazer qualquer alívio.

Portanto, a aceitação surge quando nos distanciamos o suficiente das nossas dificuldades para podermos olhar à nossa volta. Aí, inevitavelmente aperceber-nos-emos de que, de uma forma ou de outra, todas as pessoas que estão a nossa volta sofrem. E de que o sofrimento faz parte da vida.

E, portanto, em lugar de nos insurgirmos, achando injusto o que nos aconteceu, reconhecemos com humildade e abertura que, se já aconteceu a tantas outras pessoas, porque não haveria de nos calhar a nós?

Assim, a aceitação faz-se por etapas e conquista-se diariamente.

Quanto mais doloroso for o problema que enfrentamos mais os avanços e os recuos serão numerosos. Poderá haver uma autêntica guerra dentro de nós, durante a qual ganharemos algumas batalhas e perderemos outras.

Mas o principal é irmos aceitando, progressivamente, os diferentes aspetos da nossa situação. E salvando o que pode ser salvo, resolvendo e melhorando o que nos resta e aprendendo a aceitar o que não tem remédio.

Enfim, a vida é muito curta para estarmos  a deixar-nos levar pelo sofrimento. E que o importante é aceitar, aprender com ela e seguir em frente. E a não-aceitação só trará mais sofrimentos. Por isso, viva a tua vida aprendendo com ela. Viva com leveza, porque tudo passa!

“Aceitar não é renunciar ou submeter-se, não é concordar. Não é dizer “está bem”, mas sim “aí está”. Devemos compreender e praticar a aceitação como um requisito para a ação tranquila. Sem agir, a aceitação não passa de resignação. Mas sem aceitação, a ação não passa de um impulso…” – Christophe André

Beijinhos de luz

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